luciana silva processos cognitivos

22jun/111

Máscaras e papéis: O messias

Há algum tempo atrás eu escrevi um post raivoso sobre como me senti doando minha prestatividade emocional para dar conselhos e ajudar pessoas próximas.

Venho lendo sobre papéis que representamos temporariamente ou permanentemente e que são desenvolvidos pelo sistema de proteção do nosso ego. Por exemplo: o frágil, o pateta, o tagarela, o capacho, o pacífico...

Repensando minha atitude penso que eu descobri que estava me doando demais e me esquecendo de mim mesma. Senti raiva e frustração comigo mesma e descontei em outrem. Não pensava como hoje.

Hoje considero que nossos sentimentos são nossa responsabilidade, mesmo que o outro tenha feito algo ruim. Só eu decido se quero me sentir mal com alguma coisa. As vezes nós não temos noção do que nossas atitudes causam ao outro.
Venho procurando equilíbrio emocional para agir sempre de forma justa, bondosa, pacífica... qualquer coisa que não seja ruim.

Na época representei dois papéis: o do messias (ajudante) e o da possibilitadora. O messias é aquele que sempre está disposto a ajudar os outros, revisando trabalhos e dando conselhos. O possibilitador é bem parecido, ele é aquele que toma todas as responsabilidades, inclusive dos outros, para si.

Então tudo isto foi pesando, pesando até que eu "explodi". Decidi não mais fazer favores. Pelo menos não com o intuito de mostrar minha prestatividade para todos. Resolvi não ser conselheira de mais ninguém a não ser de mim mesma. Resolvi fazer as pessoas aprenderem a pescar ao invés de dá-las o peixe.

Obrigada quem leu. Deixe seu comentário. =*

29mai/112

De quem sou e a filosofia

Um dia o professor de filosofia perguntou aos alunos na aula?

-Quem é você?

Ele queria verdadeiramente a resposta mas ninguém teve coragem ou sabia responder.
Então, ele foi mais incisivo e por algum motivo se voltou para mim e perguntou quem eu sou.
Nunca respondi algo sem nem um segundo de hesitação como respondi a esta pergunta.

Quando crescemos as coisas se tornam várias vezes mais complexas. Cada experiência que vivi foi me redefinindo e me levando a agir de uma forma ou de outra.

Hoje sei que gosto de conhecer pessoas,
ouvi-las partilhar quem elas são e saber de suas histórias.

Gosto de conhecer lugares e pensar sobre sua importância
em todos os aspectos, entender porque ele é como é.

Gosto de ler, mergulhar por horas ou apenas alguns minutos
em um texto que me leve a construir mundos em pensamento.

Já amei muito e espero amar ainda mais.

O computador, com o qual eu sou constantemente associada,
não é mais quem uma ferramenta para minhas aventuras.

Quero falar várias línguas.

Não sei se é melhor fazer tudo isso acompanhada ou não. Eu irei descobrir.

26mai/110

Se eu fosse eu – Clarice Lispector #MinutoLiteratura

Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR.

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser movida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida.

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teriamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos emfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais

23mai/110

Livros

Alguns eu devoro como uma fruta doce e suculenta em uma tarde de outono. Estes são os que dão conforto a minha alma.

Outros eu leio devagar e duramente. Estes, geralmente, são livros sobre temas que ainda me inicio e cuja linguagem pouco conheço.

Outros ainda tocam minha alma, me fazem querer ser uma pessoa melhor. Estes são os livros que eu pratico, releio, relembro.

Livro bom é livro rasgado, lido, emprestado.

Saudade da profundidade de uma comunicação real em que dois se compreendem compartilhando o dom de si mesmos.